Previsão de preços de energia: como clima e hidrologia influenciam tendências para 2026 no Mercado Livre de Energia
Por Michelle Araujo
A previsão de preços de energia deixou de ser um tema restrito a analistas técnicos. Hoje, faz parte do planejamento estratégico de qualquer empresa que busca previsibilidade orçamentária ou avalia migrar para o Mercado Livre de Energia (MLE). Em 2025, o setor elétrico brasileiro reforçou um ponto central: entender clima, afluência e comportamento dos reservatórios é uma vantagem competitiva real — especialmente em um cenário de transição climática.
Modelos climáticos, análises hidrológicas e projeções de afluência ajudaram a antecipar os principais movimentos de preço do ano. E, diante da perspectiva de um 2026 ainda influenciado pela variabilidade climática, essa capacidade de leitura será ainda mais valiosa para decisores financeiros, gestores de energia e empresas com alto consumo elétrico.
1. Por que o clima e a hidrologia são tão determinantes na formação de preço?
A formação de preço de energia no Brasil depende profundamente do clima porque as hidrelétricas representam a maior parte da matriz elétrica. Isso torna o regime de chuvas um elemento-chave: quando chove menos, reservatórios não se recuperam; quando chove mais, o sistema opera com mais segurança e menor custo. Para empresas que já estão ou pretendem ingressar no MLE, compreender essa dinâmica é fundamental para avaliar riscos e projetar cenários de contratação.
Além disso, a hidrologia influencia não só o preço spot, mas também a forma como o mercado precifica contratos futuros. A previsão de preços de energia só existe porque existe monitoramento contínuo das vazões, da Energia Natural Afluente (ENA) e do nível dos reservatórios — elementos que funcionam como termômetros para o sistema.
Resumo da dinâmica:
Quando chove menos:
- Reservatórios não se recuperam
- Hidrelétricas geram menos;
- Aumenta o despacho térmico (mais caro);
- O preço sobe (spot e futuros).
Quando chove mais:
- Reservatórios se recuperam;
- O despacho térmico diminui;
- Os preços se estabilizam ou caem.
Em 2025, essa relação ficou ainda mais clara devido às fortes irregularidades climáticas observadas em diversas regiões do país.
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2. O que realmente aconteceu em 2025 — e como isso afetou a previsão de preços de energia
2025 foi um dos anos mais desafiadores dos últimos ciclos hidrológicos. O país registrou chuvas irregulares e períodos prolongados de seca, principalmente no Sudeste/Centro-Oeste, região mais relevante para a geração hidrelétrica. Essa irregularidade atrasou a recomposição dos reservatórios no início do ano e reduziu a margem de manobra para operar o sistema sem custos adicionais.
Com reservatórios mais baixos, o sistema precisou despachar termelétricas em vários momentos, pressionando diretamente o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) e influenciando o comportamento do PLDx.
Segundo análises divulgadas por Canal Energia, Agência Canal Solar e boletins do ONS:
- A afluência ficou abaixo da média em meses críticos;
- A recomposição dos reservatórios atrasou no 1º trimestre;
- A seca outonal esteve entre as mais intensas das últimas décadas;
- O despacho térmico aumentou;
- O PLD operou pressionado durante períodos de baixa hidrologia.
Em resumo, 2025 mostrou como a dependência hidrológica ainda é decisiva para o custo da energia no Brasil — mesmo com a expansão das renováveis.
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3. ENSO: o fenômeno que ajuda a prever chuvas, afluência e preço de energia
Um dos elementos mais importantes para a previsão de preços de energia é o comportamento do ENSO — sigla para El Niño–Southern Oscillation (Oscilação Sul). Trata-se do principal fenômeno climático global, responsável por influenciar padrões de chuva e temperatura no Brasil e no mundo.
O ENSO opera em três fases:
- El Niño: menos chuva no Centro-Sul; mais no Sul;
- La Niña: menos chuva no Sul; mais no Norte/Nordeste;
- Neutralidade: padrões intermediários.
Compreender a transição entre essas fases é fundamental porque define a tendência hidrológica dos próximos meses. Em 2025, o Brasil saiu de um El Niño tardio e entrou lentamente em uma La Niña fraca, cuja formação foi prevista pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) para se consolidar entre dezembro/2025 e fevereiro/2026.
Essa transição afeta:
- A distribuição regional de chuvas;
- A recomposição dos reservatórios;
- As projeções de afluência (ENA);
- A formação dos preços de energia.
Por isso, acompanhar o ENSO é uma das ferramentas mais estratégicas para antecipar cenários de custo e risco no setor elétrico.
4. Como a inteligência de mercado antecipou a previsão de preços de energia em 2025
A inteligência de mercado se tornou indispensável porque o setor elétrico é cada vez mais sensível a variações climáticas, hidrológicas e operacionais. Antecipar preços exige cruzar dados climáticos, projeções estatísticas, históricos, níveis de reservatórios e indicadores do sistema — algo que demanda especialistas e monitoramento diário.
Em 2025, sinais como queda de afluência, reservatórios abaixo do ideal e transição do ENSO já anunciavam volatilidade. Equipes especializadas conseguiram identificar janelas de contratação mais seguras e alertar para momentos em que a exposição ao spot seria arriscada.
Os principais elementos monitorados foram:
- Previsões de afluência;
- Modelos hidrológicos (ENA, vazões e sazonalidade)
- Níveis de reservatórios por submercado;
- Histórico de PLD e curvas de preço;
- Cenários de carga e demanda;
- Monitoramento do despacho térmico;
- Análises climáticas e projeções de ENSO;
- Modelos probabilísticos integrados.
Ao cruzar esses dados, foi possível antecipar:
- Picos de volatilidade;
- Pressões sobre o PLD;
- Momentos oportunos para contratação;
- Riscos de exposição ao spot.
A soma desses elementos tornou possível navegar um ano complexo com mais segurança e estratégia.
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5. Comparativo: o que 2025 mostrou e o que esperar de 2026
A melhor forma de prever o comportamento dos preços em 2026 é analisar como 2025 terminou — especialmente porque o sistema elétrico brasileiro possui “efeito memória”: reservatórios, ENA e até a percepção de risco do mercado carregam impactos do ano anterior.
Para entender melhor, confira a tabela comparativa abaixo:
Comparativo — Clima, Hidrologia e Preços (2025 → Tendências 2026)
| Indicador | 2025 — O que aconteceu | 2026 — Tendência | Impacto para o MLE |
| Eventos climáticos | Chuvas irregulares; seca prolongada; início de La Niña | La Niña fraca no início do ano; possível neutralidade no outono | Volatilidade no começo do ano |
| Afluência (ENA) | Abaixo da média, especialmente no Sudeste/CO | Oscilações regionais; incerteza no Sudeste | Preços sensíveis à hidrologia |
| Reservatórios | Reposição lenta, abaixo do esperado | Recuperação possível após março/abril | Melhores janelas no 2º trimestre |
| Despacho térmico | Aumentou em vários períodos | Pode reduzir com melhora hidrológica | Menor custo estrutural |
| PLD / PLDx | Pressionado em períodos secos | Volatilidade no 1º tri; estabilização possível no 2º tri | Ajustar estratégia cedo |
| Geração renovável | Cresceu, mas não neutralizou a seca | Expansão contínua | Reduz dependência hidrológica no longo prazo |
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6. O que as empresas podem esperar para os preços de energia em 2026
Com base nos dados de 2025 e nas projeções climáticas, 2026 será um ano de transição. A volatilidade deve se concentrar nos primeiros meses, especialmente se a La Niña permanecer ativa e a recomposição dos reservatórios depender de chuvas irregulares.
Para as empresas, isso significa que decisões tomadas no início do ano terão peso maior sobre o custo final da energia. Monitoramento contínuo e ajustes de estratégia serão essenciais para reduzir riscos.
Principais sinais para 2026:
- Início do ano com maior volatilidade;
- Chuvas de janeiro a março serão decisivas;
- Se reservatórios recuperarem entre março e maio, haverá boas janelas de contratação;
- Expansão renovável ajuda no longo prazo, mas não elimina riscos imediatos.
A estratégia recomendada é clara: tomar decisões antecipadas com apoio técnico especializado, evitando exposição desnecessária ao spot.
7. Por que a inteligência de mercado da Alup faz diferença
Interpretar clima, hidrologia e formação de preço é complexo — e o impacto financeiro para as empresas é significativo. Por isso, a Alup estruturou uma inteligência de mercado que integra dados climáticos, hidrológicos e operacionais a análises setoriais e modelagens estatísticas.
Nossa equipe especializada em meteorologia, modelagem e análise de mercado monitora diariamente variáveis como ENSO, ENA, operação do sistema e projeções de carga. Essa integração permite antecipar cenários com precisão, orientar contratações estratégicas e reduzir riscos de volatilidade.
O resultado é uma estratégia energética mais segura, previsível e competitiva, alinhada ao perfil de risco de cada empresa.
Conclusão
Se 2025 mostrou o quanto o clima influencia os preços de energia, 2026 será um ano em que a leitura antecipada fará ainda mais diferença. A previsão de preços de energia torna-se indispensável para contratar com segurança, reduzir custos e proteger margens em um cenário de variabilidade climática.
A inteligência de mercado da Alup oferece exatamente isso: previsibilidade, proteção e estratégia baseada em dados reais.
Planeje 2026 com segurança no Mercado Livre de Energia: fale com a Alup e conte com uma equipe especializada em inteligência de mercado.